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A mudança do excesso de turismo para o desconhecido

Publicado em: 13.04.2026

Os destinos mais populares há muito que dominam o imaginário turístico global. Ocupam quase que um lugar fixo nos itinerários de milhões de viajantes – mas essa lógica está a mudar. O excesso de turismo deixou de ser apenas um tema de debate para passar a influenciar diretamente a forma como as pessoas escolhem onde ir, levando cada vez mais turistas a procurar destinos menos massificados, onde seja possível viver experiências mais genuínas e criar uma ligação mais profunda com os lugares visitados.

Menos multidões, mais significado

Os sinais desta mudança são claros. Hoje, mais de um terço dos viajantes procuram ativamente destinos mais calmos, admitindo que a superlotação tem um impacto negativo na sua experiência. Ainda assim, os hábitos não mudam de um dia para o outro, já que 77% continuam a revisitar o mesmo destino em pelo menos 20% das suas férias. Esta tensão entre a vontade de descobrir algo novo e a tendência para repetir o que já é familiar mostra que o turismo está a atravessar um momento de transição. 

A ascensão dos destinos improváveis

É neste contexto que outros destinos começam a ganhar protagonismo. Lugares menos óbvios e fora dos circuitos turísticos tradicionais estão a despertar a atenção de viajantes que valorizam a diferença, a autenticidade e a sensação de descoberta. Destinos como Limón, na Costa Rica, Savoie, em França, ou Ucluelet, no Canadá, tornam-se cada vez mais apelativos graças à sua natureza, identidade local e capacidade de oferecer experiências menos previsíveis e mais ligadas ao território. 

O que isto significa para as marcas?

Para as marcas do setor do turismo, esta tendência representa muito mais do que uma mudança de preferências, revelando uma transformação estrutural na forma como os destinos são promovidos e desejados. O próprio setor já está a acompanhar esta evolução, com novas rotas aéreas e ligações reforçadas para países como Cazaquistão, Azerbaijão, Roménia e Geórgia, o que confirma a crescente atratividade destes mercados e a vontade de responder a uma procura mais curiosa, dispersa e orientada para a descoberta. Neste novo contexto, comunicar autenticidade, valorizar a ligação ao território e posicionar destinos menos óbvios como escolhas aspiracionais deixa de ser uma oportunidade de nicho para passar a ser uma estratégia com verdadeiro potencial. 

Afinal, viajar também é isto: trocar o previsível pelo inesperado e voltar com a sensação de ter descoberto qualquer coisa nova.

Estas e outras conclusões sobre as principais dinâmicas do setor turístico fazem parte do relatório Global Travel Trends 2026, desenvolvido pela agência de comunicação Message in a Bottle. Tem interesse em ler mais? Fale connosco.

– Rita Carlos, Communication Consultant