Até 2026, a comunicação em redes sociais tornou-se mais seletiva e otimizada.
Se recuarmos a 2010, a estratégia nas redes sociais era muitas vezes um jogo de volume. Influenciadores e marcas escreviam 30 hashtags (o número máximo permitido), porque tinham mais hipóteses de viralizar.
Hoje, essa abordagem já não funciona. As grandes plataformas alteraram profundamente a forma como o conteúdo é descoberto, e adotaram um processo rigoroso de intenção e precisão. Em 2026, usar três hashtags deixou de ser apenas uma recomendação e tornou-se essencial para o sucesso de um conteúdo.
1. A evolução dos hashtags
A hashtag surgiu em 2007, quando Chris Messina propôs usar o símbolo “#” para agrupar mensagens semelhantes na plataforma X. Durante quase duas décadas, o seu propósito era simples: servir como um sistema de arquivo. Para ser encontrado, era preciso classificar-se sob o maior número possível de tags.
Mas o mecanismo do hashtag mudou drasticamente:
- Era do Growth Hack: As hashtags eram usadas para alcançar a maior rede possível, colando blocos de 15 a 30 tags na descrição ou comentários para “enganar” o algoritmo.
- Mudança semântica: Com a chegada da Inteligência Artificial (IA), as hashtags deixaram de ser apenas palavras-chave e passaram a funcionar como enquadramento do conteúdo para o algoritmo.
- Inteligência emocional: Atualmente, o algoritmo consegue interpretar o tom e o “sentimento” de cada publicação e entregar o conteúdo ao público certo.
2. Efeito TikTok: como o “interesse” ultrapassou o “social”
Para perceber a mudança da lógica do algoritmo é preciso olhar para o TikTok. A plataforma pioneira promoveu a descoberta baseada em interesse, focando na identificação rápida do nicho do utilizador, em vez de depender das suas conexões sociais. O TikTok incentiva a utilização de três a cinco hashtags específicas, para ajudar o algoritmo a categorizar o conteúdo e a encaminhá-lo para as subculturas adequadas (ex: #BookTok).
No final de 2025, o Instagram anunciou esta alteração no algoritmo, passando a basear-se em interesse e não no alcance, alinhando assim a sua estratégia com a plataforma concorrente, TikTok.
- Definir o nicho: O TikTok demonstrou que profundidade (atingir a pessoa certa) vale mais do que amplitude (atingir todos). O Instagram adotou esta lógica.
- Controlo de qualidade: Influenciado pelo TikTok, o Instagram substituiu o “social graph” (quem conheces) pelo “interest graph” (o que gostas). Neste modelo, 30 tags genéricas são irrelevantes, 3 tags são interesses concretos.
3. Três hashtags são suficientes em 2026
Em 2026, o uso de hashtags deixou de ser uma questão de quantidade para se tornar uma decisão estratégica. A limitação a três hashtags não é arbitrária: reflete a forma como as plataformas evoluíram para interpretar a intenção, contexto e relevância de cada publicação. Esta mudança assenta em três pilares fundamentais: controlo de spam, maturidade da inteligência artificial e posicionamento.
3.1. Menos ruído, mais relevância
Reutilizar o mesmo bloco de hashtags em todas as publicações é um sinal de comportamento automatizado, penalizado pelos algoritmos. Ao limitar o número de tags, as plataformas forçam uma escolha consciente, onde cada hashtag precisa de justificar a sua presença e estar alinhada com o objetivo específico do conteúdo.
3.2. A IA interpreta o conteúdo
Os algoritmos atuais não dependem de hashtags para “entender” um post. Através de pesquisa semântica, a IA:
- Analisa descrições e texto em ecrã
- Reconhece imagens e objetos
- Interpreta áudio e vídeo
Neste contexto, hashtags genéricas como #love, #instagood ou #fyp perderam eficácia e são frequentemente ignoradas. As três hashtags disponíveis devem ser usadas apenas para informar a IA, que não consegue deduzir campanhas específicas, marcas ou comunidades de nicho.
3.3. Hashtags intensionais
Mais do que descrever o conteúdo, a tag indica onde e para quem ele deve ser distribuído. Hashtags irrelevantes ou associadas a tendências sem ligação ao conteúdo são rapidamente identificadas pela IA, reduzindo o alcance da publicação. Em vez de combinações genéricas como #food ou #dinner, um hashtag como #PlantBasedRecipes define claramente o público-alvo e melhora a categorização.
4. Hashtags e a lógica SEO
Em 2026, as hashtags funcionam de forma semelhante às palavras-chave do SEO: menos, mas mais específicas, ajudam a que o conteúdo seja descoberto a médio e longo prazo, em vez de gerar picos virais curtos.
A transição de 30 para 3 hashtags não é uma restrição, mas uma otimização de como o algoritmo funciona. Passámos de utilizar palavras-chave para captar a atenção de um público amplo para uma comunicação intencional direcionada a quem realmente procura o nosso conteúdo.
Agora já sabe: em 2026, para ser visto, não é necessário dizer mais, mas dizer exatamente o que pretende que o algoritmo entenda. Contacte-nos e descubra como podemos criar uma estratégia infalível para que a sua marca seja encontrada pelo público certo, no momento certo.