Durante anos, a visibilidade digital jogou-se na primeira página do Google. Hoje, essa página já não é necessariamente o ponto de partida.
Cada vez mais consumidores perguntam diretamente ao ChatGPT, Claude, Gemini, Perplexity e a outros assistentes de inteligência artificial onde devem ficar, jantar ou passar férias. Em vez de pesquisarem várias palavras-chave e compararem dezenas de páginas, fazem uma pergunta completa e esperam uma resposta pronta: “Qual é o melhor boutique hotel em Lisboa para um fim de semana em família?”, “Que restaurante no Alentejo tem uma boa carta de vinhos?”.
A resposta já não surge apenas sob a forma de links, mas como uma seleção contextualizada de recomendações. A descoberta deixou de ser apenas uma pesquisa e passou a ser uma conversa.
A inteligência artificial está a mudar a pesquisa de viagens
A integração da inteligência artificial nos motores de pesquisa está a alterar o percurso do consumidor. Planear uma viagem, comparar hotéis ou escolher um restaurante exige agora menos cliques e menos tempo.
Os dados confirmam esta mudança. Segundo o Global AI Sentiment Report da Booking.com, 89% dos consumidores querem utilizar inteligência artificial no futuro planeamento de viagens. Nos Estados Unidos, a Deloitte identificou uma subida da utilização de IA generativa neste processo, de 8% em 2023 para 24% em 2025, de acordo com o Holiday Travel Survey.
Para hotéis e restaurantes, já não basta aparecer no Google. É preciso que a inteligência artificial compreenda e recomende a marca, com base em informação consistente, credível e atualizada.
A reputação já não se mede apenas em estrelas
Os sistemas de inteligência artificial não analisam apenas a classificação média de um hotel ou restaurante. Interpretam avaliações, fotografias, notícias, páginas oficiais e outras referências disponíveis online.
Uma avaliação que mencione “serviço atento para famílias”, “pequeno-almoço com produtos locais” ou “terraço com vista para o rio” oferece mais informação do que um simples “muito bom”. Estes detalhes ajudam os sistemas a associar um estabelecimento a necessidades concretas.
A Booking.com já utiliza inteligência artificial para responder a perguntas sobre alojamentos com base nas descrições, fotografias e avaliações, além de testar resumos automáticos de comentários sobre acessibilidade, estacionamento ou políticas para animais.
A reputação online torna-se, assim, mais qualitativa. O contexto passa a ser tão importante como a pontuação atribuída pelos consumidores.
Relações públicas e autoridade digital influenciam a descoberta
Os assistentes de IA recorrem a websites oficiais, plataformas de avaliações, meios de comunicação, guias de viagem e conteúdos editoriais para construir respostas.
Assim, artigos em meios credíveis, entrevistas e críticas gastronómicas ajudam a reforçar a autoridade digital.
A assessoria de imprensa ganha uma nova dimensão. Além de gerar notoriedade e reputação, aumenta a quantidade e a qualidade da informação disponível sobre a marca, facilitando o trabalho dos sistemas de inteligência artificial.
O website tem de ser claro para pessoas e máquinas
O website continua a ser central e deve explicar claramente onde fica o estabelecimento, o que oferece, a quem se dirige e o que o diferencia, disponibilizando informação clara e atualizada sobre localização, serviços, horários, contactos e formas de reserva para facilitar a interpretação pelos motores de pesquisa e sistemas de inteligência artificial.
Um restaurante deve apresentar claramente a carta, o tipo de cozinha, os horários e as opções alimentares. Um hotel deve disponibilizar informação objetiva sobre quartos, serviços, localização, acessibilidade e experiências.
Quanto mais concreta for a informação, maior será a probabilidade de a marca ser associada às pesquisas certas.
O SEO evoluiu e tornou-se mais integrado
A inteligência artificial não representa o fim do SEO, mas a sua evolução. Para além de garantir que um website pode ser encontrado, é necessário organizar a informação de forma clara e reduzir ambiguidades.
Os dados estruturados ajudam os motores de pesquisa e outros sistemas automáticos a compreender quem é a marca, onde está e o que oferece.
Ao mesmo tempo, conceitos como Answer Engine Optimization (AEO) e Generative Engine Optimization (GEO) refletem uma nova abordagem à visibilidade digital. Trata-se de criar conteúdos que respondam a perguntas reais, apresentar informação clara e conquistar referências em fontes externas credíveis.
SEO, dados estruturados, relações públicas, reputação e produção de conteúdos deixam de funcionar como áreas isoladas e passam a integrar uma estratégia comum, orientada não apenas para a pesquisa, mas também para a descoberta e recomendação através da inteligência artificial.
Ser encontrado já não basta
Os consumidores já utilizam a inteligência artificial para planear viagens, comparar experiências e decidir onde ficar ou jantar.
A pergunta deixou de ser apenas se um hotel ou restaurante aparece na primeira página do Google e passou a ser se a marca faz parte da resposta quando o cliente pergunta à inteligência artificial onde deve ficar ou jantar.
Na Message in a Bottle, acreditamos que este é o verdadeiro desafio da comunicação na era da inteligência artificial: transformar presença digital em autoridade e autoridade em escolha.
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